Lembrando da 32ª Bienal de São Paulo

Viver é estar no momento

O título da 32ª Bienal de São Paulo, INCERTEZA VIVA, propõe que se olhe para as noções de incerteza e para as estratégias oferecidas pela arte contemporânea para abraçá-la ou habitá-la.

A 32ª de São Paulo – Incerteza Viva – joga luz sobre numerosas incertezas da vida contemporânea que dizem respeito a temas de classe, raça, gênero, sexualidade, ecologia e tecnologia. As obras de maior sucesso na exposição interrogam nossas percepções da história e suas narrativas acabadas, destacando as fortes continuidades entre passado e presente. Desenvolvendo questões levantadas na peça de Ashton Harris, a instalação de Carlos Motta Rumo a uma historiografia homoerótica (Hacia una historiografía homoerótica, 2013–16) mergulha mais fundo na cumplicidade histórica. A obra inclui o projeto Nefandus (2013–16), uma coleção de objetos dourados retratando várias partes separadas do corpo e personagens dedicados a atos íntimos. Apresentada na linguagem de uma mostra de museu, a peça empenha-se em destacar a supressão das culturas indígenas pelo colonialismo ocidental e o desvirtuamento de suas noções de gênero e sexualidade através da imposição de crenças cristãs. Assim, Motta nos força a refletir sobre os debates de gênero e sexualidade correntes sem o uso das lentes estreitas de nossos tempos, mas através do arco da história.

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