Desde a década de 1970, a artista pioneira estadunidense Maren Hassinger tem trabalhado com múltiplos suportes, como escultura, desenho, instalação, filme/vídeo, performance e arte pública. Sua prática consiste em uma exploração crítica da natureza e da transformação, que frequentemente utiliza objetos industriais e orgânicos, como sacolas plásticas, galhos de árvores ou jornais, abordando a relação destes materiais com nossa sociedade de consumo.
C&: Você já trabalhou e experimentou com diversos suportes. Como essa abordagem tem sido influenciada ou moldada pelo ambiente ao seu redor?
Maren Hassinger: Bem, há um caso que ilustra como a mudança de suporte foi influenciada pelo meio. Eu tive um estúdio em Los Angeles mais ou menos entre 1974 e 1984. Ele era enorme. Media 6 metros por 12, tinha o pé-direito alto e o piso de concreto. Havia janelas nos dois lados, as quais eu cobri com papel. Isso permitia que a luz entrasse sem o sacrifício da privacidade. Criei muitas obras naquele lugar. Algumas exigiam a fabricação de cabos de aço e outras exigiam instalações usando galhos e pedras “caseiras”. Mas, quando me mudei para Nova York, para minha residência no Studio Museum no Harlem, passei a criar muitas colagens com folhas de rosas preservadas e instalações usando cabos de aço (que dispensavam fabricação), areia, papéis rasgados e vídeo.
Nossos ateliês no museu eram escritórios convertidos. Havia divisórias de ambiente, piso em linóleo e uma parede de janelas de onde era possível ver a epidemia de crack da Rua 124. Nós todos podíamos ver os trabalhos uns dos outros. Era um espaço comum que incluía a comunidade do Harlem através de nossas janelas. Com certeza não era como o espaço hermético onde eu trabalhava em LA. Ele se entrelaçava à própria vida. E creio que minha grande instalação final feita de cabos de aço, areia e papéis rasgados (que agora faz parte da coleção do Studio Museum) refletia isso.