Instalada no Brooklyn Museum, no Elizabeth A. Sackler Center for Feminist Art, Behold começa no acesso com uma das obras da década de 1990 de Campos-Pons, Spoken Softly with Mama (1998). Na instalação de vídeo, fotografias das mulheres de sua família e vídeos da artista são projetados em sete tábuas de passar roupa. Em um padrão centrífugo diante delas, estão ferros de passar roupa de pasta vítrea aludindo a objetos domésticos usados pelas mulheres que trabalhavam como empregadas domésticas. Ao criar um espaço semelhante a um altar para homenagear o trabalho de cuidado invisibilizado das mulheres de sua família, Campos-Pons presta homenagem ao trabalho que as mulheres negras realizam nos espaços domésticos de outras pessoas – uma prática que a acadêmica Saidiya Hartman nomeia como sendo uma das heranças da escravidão. Desde o início, a exposição nos ensina a olhar atentamente e a escutar a arte. Detalhes íntimos retratam a dignidade tranquila da vida negra cotidiana: os sons do trabalho manual, a voz da artista entoando uma canção de ninar, os nomes das mulheres costurados à mão nas tábuas de passar roupa com linha branca, quase imperceptíveis.
A exposição se desdobra em seis galerias sucessivas. Essa organização do espaço gera observações sociopolíticas sobre questões de raça e migração, ao mesmo tempo em que desenvolve os temas inter-relacionados de gênero, memória e religião ao longo da obra de Campos-Pons, destacando conexões que podem nos escapar em uma visão geral cronológica de seu trabalho. A primeira galeria, “The Calling”, enfatiza a centralidade da religiosidade afro-cubana na formação da artista e para as comunidades afro-cubanas como transmissoras da memória cultural. Tons saturados de azul e vermelho evocam os orixás da Santeria Yemayá e Eleguá, respectivamente, e a importância da água e das encruzilhadas na formação do sujeito afro-diaspórico. “Voyeurs and Beholders” utiliza o mote do “olho” enquanto testemunha para evocar o luto coletivo e marcar a precariedade da vida negra nos Estados Unidos, onde Campos-Pons, agora radicada em Nashville, Tennessee, reside desde os anos 1990. Os olhos abertos nos fitam na pintura tríptica butterfly eyes (For Breonna) (2021), em que uma cena exuberante de flores desabrochando recorda a vida de Breonna Taylor e a energia vital do Global Movement for Black Lives.